terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


Carta em repúdio à reitoria da USP e às 270 demissões
 
O ano de 2011 começa de fato nas universidades estaduais paulistas, e desde sua primeira semana já nos dá mostras contundentes do que ainda está por vir, que é aprofundamento do projeto de universidade privatista e excludente que as REItorias e o governo do estado implementam pouco a pouco em divresos ataques ao trabalho, aos curriculos, à organização e manifestação de estudantes e trabalhadores e a qualquer obstáculo que encontrem em seu caminho.
 
Um dos mais importantes pilares desse projeto é a terceirização nas universidades. Esse fenômeno torna-se, a cada minuto, mais freqüente tanto na sociedade quanto na universidade. Os postos de trabalho passam da mão do estado para a mão de empresários, garantindo-lhes uma alta lucratividade, por outro lado, para os trabalhadores esse mesmo fenônemo garante apenas precarização e falta de estabilidade no emprego, além de dividir o conjunto dos trabalhadores entre terceirizados e efetivos, o que contribui para um enfraquecimento maior do corpo de trabalhadores, uma vez que terceirizados e efetivos não partilham dos mesmos direitos frente à universidade. Essa terceirização avança em níveis alarmantes nas estaduais paulistas e para que continue crescendo é preciso que se renove o quadro de funcionários.
 
Dessa vez foram os 270 trabalhadores da USP que já estavam aposentados ou em precesso de aposentadoria que começaram o ano demitidos de maneira intransigente e sem aviso prévio, justamente sob o argumento de renovação do quadro de funcionários e a criação de oportunidades na carreira de outros trabalhadores. Sabemos bem que não são nada boas as condições de aposentadoria, e que não é atoa que quando conseguem se aposentar, muitos tem que continuar trabalhando para manterem a renda de suas famílias. O próprio REItor da USP, João Grandino Rodas, apesar das suas mais de 3 aposentadorias, no caso dele bem altas, continua na ativa com seu projeto excludente para a universidade!
 
Entendemos que essas 270 demissões tem como único objetivo o avanço desse projeto precarizador e nos deixa muito claro qual é a real importância que esses senhores REItores e seus aliados dão aos trabalhadores, que com seu suor diário fazem funcionar os tão requisitados "centros de excelência", e às suas famílias. Da mesma maneira se deu no fim de 2008 a demissão de Claudionor Brandão, do sindicato dos trabalhadores da USP, por estar a frente na luta em defesa dos direitos dos terceirizados e coincidentemente também foi demitido nas férias.
 
Esse mesmo tratamento aos trabalhadroes ficou bastante evidente no ano passado, quando além de uma série de ataques e perseguições ao SINTUSP, cerca de 1000 trabalhadores deixaram de receber seu salário por exercerem seu direito democrático de greve. Alguns de nós, já a frente do Centro Acadêmico com o grupo "Palmares", pudemos intervir e levantar lado a lado dos trabalhadores as suas bandeiras nessa greve duríssima. O corte dos salários só pôde ser revertido na medida em que o movimento se radicalizou nos métodos, com a ocupação da reitoria da USP. Esse é o exemplo que devemos reinvidicar nesse ano que já começa com diversos enfrentamentos.
 
Nós da "Rosa Parks", atual gestão do Centro Acadêmico de História da Unesp de Franca, nos mantemos firmes na defesa da universidade pública de qualidade e acreditamos que só a aliança entre estudantes e trabalhadores pode dar uma contrapartida a esse modelo de universidade que tentam nos fazer engolir. Essa universidade que já é excludente desde o acesso, com o funil social do vestibular, que impede a entrada dos filhos da classe trabalhadora e do povo pobre. Os poucos que conseguem entrar enfrentam péssimas condições de permanência estudantil. Isso só é garantido por uma estrutura de poder arcaica na qual uma casta de professores e burocratas decidem sozinhos os seus rumos da universidade, coibindo a expressão dos segmentosque são inúmeras vezes maiores, estudantes e trabalhadores.
 
É preciso que não aceitemos nenhuma dessas demissões e que prossigamos lutando pela readmissão dos demitidos e incorporação de todos os funcionários já terceirizados sem concurso público, pois com certeza maiores ataques e mais demissões virão. Temos que estar preparados e unidos para impedi-los.
 
Abaixo a intransigência das REItorias!
 
Pela readmissão de todos os demitidos!
 
Pelo fim da terceirização! Incorporação dos terceirizados sem concurso público!
 
Abaixo a estrutura de poder anti-democrática das universidades!
 
Por uma universidade pública, de qualidade e para todos!
 
Centro Acadêmico de História da Unesp de Franca - Gestão "Rosa Parks"

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